Joaquim Vicente Ferreira Bevilacqua nasceu em São José dos Campos (SP) no dia 27 de março de 1944, filho de Hélio Válter Bevilacqua e de Leni Eusébio Ferreira Bevilacqua.
Bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Vale do Paraíba, em São José dos Campos, em 1968. No ano seguinte fez o curso de especialização em teoria geral do processo e direito civil na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.


Em novembro de 1972 elegeu-se vereador na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instaurado no país em abril de 1964. Iniciou o mandato no início do ano seguinte, tornando-se em 1973 líder do MDB. Durante seu mandato foi presidente da Comissão de Justiça e Redação da casa e membro titular da Comissão de Redação.
Em novembro de 1974, elegeu-se deputado federal por São Paulo, novamente na legenda do MDB. Deixou a Câmara de São José dos Campos em janeiro de 1975 e no mês seguinte assumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados. Foi prefeito de São José dos Campos.

Esportista
Estudava no Colégio João Cursino e no começo da adolescência comecei a tomar gosto pelo esporte e na época o professor Airton Vilaça nos levava para aula de educação física nas dependências do Tênis Clube, e logo depois, no ginásio, tive como professor o Alberto Marson que nos ensinava, principalmente, os fundamentos do basquete. Nessa época me lembro de um grande colega que era muito vocacionado, que era Edvard Simões. Esse meu gosto pelo esporte veio, principalmente, pelo fato do professor Marson exigir muito da gente.
Lembro-me do professor Bombarda que me ensinou os fundamentos do atletismo, arremesso de dardo, peso, disco. Aprendi muita coisa com ele
Passei a torcer pelo Palmeiras num jogo em que assisti na televisão do professor Ayres junto com o Padre Jairo que era capelão do CTA. Eu era garotinho e gostei de ver o Oberdã Catani (goleiro) jogar. No Rio de Janeiro torcia pelo Fluminense por causa do Castilho (goleiro).
Eu sempre fui atacante, mas não levava jeito. Craque era o Zézinho Friggi que escondia a bola. A gente ia tentar tomar a bola do Zé e não tinha jeito. Ele fazia desaparecer, impressionante!

Musica
O gosto pela música veio de meu avô e desejo de meus pais, principalmente minha mãe que desejava que seguisse carreira diplomática. Nessa época eu estudava piano no Conservatório Santa Cecília com dona Erminia e o professor Nagib, onde me formei, e aos 12 anos me tornei professor de piano. Com 14 anos ganhei alguns concursos e uma bolsa que me levou a estudar no Rio de Janeiro. A saudade bateu forte e acabei voltando para São José. Encerrei minha carreira. Fiquei chateado, magoado, fechei o piano e não o abri durante quase cinco anos.
Tempos depois voltei ao Rio de Janeiro para fazer a Faculdade de Medicina. Não deu. Retornei para a minha cidade e comecei a Faculdade de Direito. Essa infância, jjá mais para adolescência, foi de muito estudo e esporte.

Balada e Footing
As baladas naquela época eram de duas natureza: Uma delas eram as brincadeiras dançantes da Associação Esportiva São José naquele salão da Praça da Matriz. O que era interessante, também meio provinciano, mas interessante, porque você encontrava todo mundo, interagia com as pessoas, era o ¨footing¨ na Rua XV de Novembro. Essa era a rua da Casa Diamante, representante dos Pianos Brasil quase ao lado da Rádio Clube. O saudoso Álvaro Gonçalves tinha um programa no final de tarde que era transmitido direto da Casa Diamante, e quase sempre eu ia lá tocar um piano com o Cid César, a Lola…
À noite, nos finais de semana, fechava para o trânsito e as pessoas ficavam desfilando por ali. Era o ¨footing¨. Lembro-me que havia um banquinho em frente ao bar do Boneca (ex-prefeito de Caraguatatuba) onde sentávamos, eu, Sebastião Gilberto, Aécio, Diomédi, Zé Fernando… brincávamos, aprontávamos. Nessa época já tínhamos entrado na Faculdade de Direito, lá pelos 19 anos. Estávamos na adolescência adulta.

Trabalho
Sempre trabalhei bastante e estudei. Meus pais queriam que eu fosse diplomata, mas não era bem meu campo. Pelo exemplo de um tio, a Medicina apareceu em minha vida, mas eu não gostava de Química e Física. Gostava de História, Geografia e por isso parti para o campo das Humanas, mas foi importante a base que tivemos no Latim, porque o Direito romano é a base do nosso direito. Hoje eu vejo colegas que não estudaram Latim, com dificuldades de entender expressões do próprio Direito que vem do direito comum.
Eu nunca fui uma pessoa extrovertida. Lembro-me de que pra fazer o primeiro Júri como advogado, fui junto com o Marcondes Pereira. Ele já era ex-prefeito e eu um jovem advogado em início de carreira. Foi um sofrimento. Quando levantei e vi aquela platéia, tremi. Mas quando comecei a falar, não parei mais. Então você vai vencendo as dificuldades.

O nascimento de meu primeiro filho, Luiz Vicente eu nunca me esqueço, foi muito interessante. Nasceu no Pio XII. Eu tinha um carro Citroen, e fiquei tão alegre no dia em que ele nasceu que eu parei na Rua José Leite da Silva (Bela Vista) para avisar meu tio Lélis. Deixei o carro na calçada e entrei. Ouvimos um barulho e saímos. Era meu carro que desceu o morro e foi bater num muro de uma residência. Deixei desengatado. O carro não teve maiores problemas, mas o muro… caiu. Eu costumo dizer para o meu filho ¨você nasceu me dando prejuízo!¨
Não é só na minha vida, mas a família é a base de tudo na vida de todos. Naqueles momentos difíceis que todos nós temos, o ponto de apoio, de refúgio, de referência é sempre a família. Eu sinto muita falta de meu avô que foi embora com 93 anos, da minha bisavó que morreu com 104 anos, e dos meus pais. Eu sinto falta. Eram referências para mim. O tempo vai passando e o coração da gente vai ficando uma caixa de recordações, essa que é a verdade. O homem é um animal gregário.

O líder
As coisas aconteceram em minha vida. Eu desde criança gostava de politica. Assistia as sessões de Câmara no prédio onde hoje é a Biblioteca Municipal. Conhecia todos os vereadores, e me lembro do José Rubens Barbosa, ainda jovem, Donato Mascarenhas, Sebastião Teodoro, Mario e José de Paula, do Aniz Mimessi fazendo as transmissões, ora ele, ora o Álvaro Gonçalves. E gostava também de assistir os Júris no Fórum da Praça Afonso Pena.
Na Faculdade tive alguma militância. Cheguei a fazer o jornalzinho da Faculdade, numa política acadêmica. Casei jovem, e fui trabalhar em São Paulo no escritório do Dr. Agenor Luiz Moreira onde atuei por algum tempo e não dava pra pensar em política.
Quando voltei, fui trabalhar com o Tuffy Simão na Associação Comercial. Fui ser Assessor Jurídico e participei muito das campanhas da época como a construção da sede própria, e vivi muito aquele momento, num período em que São José dos Campos voltava a ter prefeito nomeado. Era Sérgio Sobral de Oliveira. O Tuffy e setores pensantes e mais independentes da cidade tinham divergências com o Sobral. O estilo do Sobral. Nós tínhamos saído da gestão do Marcondes. Era Marcondes e Veloso, Veloso e Marcondes, e veio o Sobral com estilo ¨militaresco¨, e eu, jovem não gostava muito daquela postura, e começou uma militância, a princípio pelos jornais, me lembro que tinha uma coluna no jornal do Nenê Cursino e escrevia com o pseudônimo de Gil Vicente e dava umas alfinetadas no Sobral… era ainda meio garotão.
A coisa foi indo que até que ele tomou uma medida com relação às professoras, e estas procuraram minha mãe que era uma das mais antigas professoras da cidade, e marcaram uma reunião em casa, na Rua Vilaça onde participei e me tornei advogado das professoras. Apaixonei-me pela causa e posso dizer que o que me fez entrar na política foi à advocacia.

A politica
Um dia, o doutor José de Castro Coimbra, que havia brigado com o Sobral e o Luiz Paulo Costa passaram em casa na rua Vilaça e me convidaram a ser candidato a vereador e eu aceitei. Me filiei ao MDB, fui candidato e bem sucedido.
Na eleição de 1972, a primeira que disputei, o Robson Marinho, jovem ainda, teve uma enxurrada de votos por simbolizar a resistência ao arbítrio e depois dele, fui o mais votado com quase 3 mil votos na época. Foi uma estreia com o pé direito.
Na Câmara acabei gostando. Fui líder da bancada de oposição e realizava meu sonho político que era ser vereador, e terminava ali. Em 1974, campanha para deputado, novamente o Coimbra, Luiz Paulo e o Robson me procuraram pra que eu saísse deputado federal. Eu tinha 30 anos de idade e apenas dois de experiência parlamentar. Propus ao Robson que ele saísse federal, e eu, para ajuda-lo sairia estadual. Não houve jeito, insistiram e fui candidato a federal e o Robson estadual.
Fui para o Vale fazer campanha e mesmo desconhecido tive votações absurdas, como em Lorena, 4 mil votos, mais 2 mil em Piquete, em Jacareí mais de 6 mil votos e no final fui eleito com quase 55 mil votos. Eleitos eu e Robson, ele foi presidente da Assembléia, eu vice-lider do Alencar Furtado na Câmara Federal, e com isso tivemos projeção, ele ganhou a eleição de 86, eu em 88. Foi um período de hegemonia na política da cidade. Aquele quadro que era dominado pela ARENA, que era fruto da revolução de 64, viu a recuperação da autonomia que era pedida há muito tempo.
Gosto de contar que na política fiz muitos amigos, e foram muitos também que trabalharam pela causa pública: Na ARENA tinha Adalberto Bols, Rubens Savastano, Fauze Metene, Sebastião Paula de Azevedo, João Carioca, João Moreno e no MDB, Mário Scholz, Robson Marinho, Chico Andreolli, Francisco Ricci, todos com espírito público.
Na política tenho alguns homens públicos que admiro. Um deles, como escola, como professor, como um exemplo, divulgador e doutrinador, diria que foi Franco Montoro, que foi um mestre na arte de fazer política. Aprendi muito com ele no MDB e no Congresso, tive a honra de representa-lo em Congressos no exterior quando por algumas vezes me indicou. Outro que sempre admirei foi Ulisses Guimarães, pelo arroubo poético e pelo talento verbal, assim como o Tancredo Neves. Outro também foi Paulo Brossard pelas qualidades oratórias e o Alencar Furtado pelo sentido de brasilidade, às vezes até exagerado, mas carregava consigo aquele mérito e valor telúrico que nos impeliu para algumas jornadas históricas, numa época gloriosa para o MDB. Orgulho-me muito de ter vivido e participado daquele momento com brasileiros daquele nível. Foi um período bonito da política onde a tribuna foi valorizada, o discurso político era valorizado e onde o assunto do dia não era Mensalão ou Petrolão. Era tema de interesse nacional. Infelizmente, essa liberdade que nós conseguimos alcançar não temos sabido valorizar. O Brasil voltou um pouco para trás em questão dos parâmetros mínimos de ética e comportamento.

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