A migração dos nordestinos para São Paulo, como demonstram vários estudos, não é uma história recente. O êxodo rural destes migrantes inicia-se desde a primeira metade do século XIX, quando dos primórdios do processo de crescimento capitalista no Brasil, em que São Paulo se destaca enquanto pólo industrial de repercussão nacional. Esta migração se intensifica a partir da década de 1940 com o crescimento da indústria que requer uma crescente quantidade de trabalhadores.

O grande contingente populacional que se concentra na região Nordeste é marcado pela impossibilidade de sobrevivência no campo, cuja política, voltada para a concentração fundiária, favorece a agricultura de exportação e acaba por abandonar os pequenos agricultores que se dedicam às culturas de subsistência.


Um desses migrantes, Florisvaldo Alves Calmon, deixou Salvador na Bahia e veio residir na região oeste de São Paulo. O sonho maior do baiano era batizar seu filho em Aparecida. Com 10 meses de vida, Carlos Alves Calmon foi trazido para a Catedral que fica no Vale do Paraíba, mas no caminho, na Via Dutra, em São José dos Campos, o carro que os traziam, quebrou. Com muito luta, conseguiram uma ¨carona¨e chegaram a Aparecida onde efetivaram o batismo.


Na volta pararam no local onde o carro ainda estava quebrado. Tentaram fazê-lo funcionar, e nada. Um caminhoneiro (cegonheiro), que voltava vazio para a capital, vendo o desespero daquela família, resolveu levar o veículo e todos de volta. Antes de partir o pai de Carlos profetizou: ¨Meu filho será um homem de sucesso e empresário numa grande cidade.¨
O menino cresceu, e dentre várias atividades, Calmon trabalhou como pegador de bolinha de tênis no Clube Altos de Pinheiros aprendendo rápido esse esporte, chagando a dar aula por um tempo.
Com 17anos foi trabalhar como metalúrgico, mas sentiu que sua praia era outra. Foi para o comércio, e ai sim, se deu bem. Foi gerente de algumas lojas de rede na capital, e num dia, foi designado á vir para São José dos Campos trabalhar em uma das filiais da empresa que prestava serviços.


Veio, e como diz ele: ¨para quem morava em Carapicuiba, pegava dois ônibus, trem e metrô para ir trabalhar, São José era o verdadeiro paraíso.¨
Fui empregado por alguns anos até que resolvi ser dono de meu próprio negócio. Numa garagem minúscula e com 40 gravatas comecei a Calmon Modas que hoje é um nome respeitado no segmento.
¨Com ajuda e apoio de minha família, esposa e filhos, consegui me estabelecer e ser feliz nesta cidade. Minha empresa fica defronte a rodovia Presidente Dutra, a alguns metros de onde o carro que me levava para o batismo quebrou. As palavras de meu pai, naquele dia foi uma profecia: São José dos Campos é o sonho de meu pai que deu certo em minha vida¨ diz, Calmon.

Comentários Facebook

comments